G—NEWS (INTERNACIONAL) — Há quase 20 anos declarado como parque nacional, o parque Nino Konis Santana e as suas imediações, em Timor-Leste, foram considerados pelas UNESCO como um espaço de diversidade ecológica e cultural distinguido com título de reserva da biosfera. Esta distinção vai permitir troca de experiência, mais tecnologia e mais oportunidades para as populações locais.
O parque nacional Nino Konis Santana, em Timor-Leste, foi classificado no início de Junho como Reserva da Biosfera da UNESCO, a primeira do país. O parque foi estabelecido em 2008 e incluiu uma área de mais de 123 mil hectares, incluindo floresta, mangais e uma parte marítima, que integra o Triângulo de Coral, o centro mundial com maior diversidade de corais e peixes de recife. Este é também um parque com um significado especial para os timorenses, já que carrega o nome de Nino Konis Santana, chefe da guerrilha FALINTIL, braço armado da FRETILIN, e resistente face à ocupação da Indonésia.
Este reconhecimento pela UNESCO vai ajudar na preservação deste parque, mas também dar mais oportunidades às populações que vivem à sua volta, como explicou António de Sousa Abreu, director da Divisão de Ecologia e Ciências da Terra, da UNESCO, em entrevista à RFI.
“Este parque é uma referência porque tem o nome de um herói nacional e, portanto, é, do ponto de vista cultural, do ponto de vista até político, se quisermos um elemento muito simbólico no país do ponto de vista natural. É também uma área protegida à escala nacional, com relevância internacional, uma vez que alberga uma grande diversidade de ecossistemas muito importantes e ao nível da biodiversidade, também ao nível de específico. Elementos muito importantes, portanto, sejam ecossistemas terrestres, costeiros, marinhos, desde florestas tropicais, secas, mangais, savanas, recifes de coral e zonas húmidas. Ou seja, há um trabalho já com alguns anos que Timor Leste fez em torno de uma área protegida que agora ganha uma dimensão maior e que extravasa a tradicional competência e funções de um parque. Não é o parque que é reserva da Biosfera. O parque é o motivo ao redor do qual houve uma candidatura para uma Reserva da Biosfera, que é uma classificação diferente de um parque e não é um prémio, é uma validação do trabalho que foi feito“, detalhou.
As reservas da biosfera da UNESCO são locais de “aprendizagem de desenvolvimento sustentável” e que permitem compreender como de, um lado, se pode gerir a biodiversidade e, por outro, ter em conta as populações autóctones e prevenir conflitos. Este reconhecimento serve assim para promover também a educação e envolver diferentes actores no futuro do parque Nino Konis Santana.
“A visão que Timor-Leste assumiu implica promover a educação, a sensibilização, implica dialogar e meter na mesma mesa partes que tradicionalmente não se juntam, por exemplo, o sector privado que traz o desenvolvimento puro e duro, sem perda de identidade natural e cultural, uma vez que a natureza e a cultura fazem parte e moldam-se a si próprios. A forma, como há milhares de anos se ocupa aquele território, não obstaculizou que os valores naturais ainda lá estejam. Queremos manter o grau de conservação. Timor assumiu isso. Queremos promover sociedades mais informadas, mas também acrescentar valor“, explicou António de Sousa Abreu.
Esta é a primeira reserva da Biosfera em solo timorense e há actualmente 784 reservas em todo o Mundo, espalhadas por mais de 140 países, abrangendo mais de um milhão de quilometros quadrados.

















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