G—NEWS (DILI) — No âmbito das comemorações dos 24 anos da Restauração da Independência da República Democrática de Timor-Leste, o Arquivo & Museu da Resistência Timorense – AMRT, I.P. promove, no dia 29 de maio de 2026, na Universidade da Paz, um Seminário Nacional dedicado à reflexão sobre o percurso histórico da luta de libertação nacional e os desafios da construção do Estado timorense.
Subordinado ao tema geral “Juntos Construiremos uma Pátria cada vez mais justa, inclusiva e resiliente”, e ao subtema “Da Resistência à Restauração: Unidade, Estratégia e Construção do Estado de Timor-Leste”, o seminário pretende assinalar, de forma reflexiva e pedagógica, os 24 anos da Restauração da Independência, estabelecendo um paralelismo com os 24 anos de luta pela libertação nacional, entre 1975 e 1999.
A iniciativa insere-se na missão institucional do AMRT, I.P., enquanto entidade responsável pela preservação, valorização e divulgação da memória da Resistência Timorense e pela promoção do conhecimento da história contemporânea de Timor-Leste, em particular junto das novas gerações. Mais do que uma cerimónia comemorativa, o seminário constitui um espaço de diálogo intergeracional, de valorização da memória coletiva e de reflexão estratégica sobre o passado, o presente e o futuro da Nação.
A Restauração da Independência, proclamada a 20 de maio de 2002, representou o culminar de um longo processo histórico marcado pela coragem, sacrifício, reorganização e unidade do povo timorense. Após a destruição das Bases de Apoio, em 1978, a resistência enfrentou uma crise profunda, mas soube reorganizar-se, adaptar-se e transformar a sua estratégia, assegurando a continuidade da luta através da resistência armada, da organização clandestina e da frente diplomática internacional.
Neste contexto, o seminário procurará revisitar momentos decisivos da história nacional, incluindo a reorganização da resistência a partir da Ponta Leste, o papel do Destacamento de Ligação, a importância da Conferência Nacional de Maubai de 1981 e a consolidação das estruturas político-militares que permitiram manter viva a causa timorense até à Consulta Popular de 1999 e à Restauração da Independência em 2002.
Ao mesmo tempo, a atividade pretende olhar para os 24 anos de Estado independente, refletindo sobre os progressos alcançados, os desafios ainda existentes e a necessidade de continuar a construir uma pátria mais justa, inclusiva, democrática e resiliente. A independência não é entendida como um ponto final, mas como a continuação da luta sob novas formas: a luta pela consolidação das instituições, pelo desenvolvimento nacional, pela justiça social, pela reconciliação e pela afirmação internacional de Timor-Leste.
O seminário será organizado em três painéis temáticos. O primeiro painel, intitulado “Maubai 1981 – Reorganizar para Resistir, Unir para Vencer”, contará com a intervenção do General Lere Anan Timur, membro eleito da 1.ª Geração de 1981, e abordará a crise da resistência após 1978, a reorganização a partir da Ponta Leste, o papel do Destacamento de Ligação e a Conferência de Maubai como momento de viragem estratégica.
O segundo painel, dedicado ao tema “24 Anos da RDTL: O Papel das Mulheres na Luta e na Construção do Estado”, terá como oradora Domingas Alves “Bi Lou Mali”, Assistente Política da Região Militar Central Nakroma. A sua intervenção destacará o papel das mulheres na luta de libertação nacional, na sobrevivência da resistência, na construção do Estado, na reconciliação nacional, na educação das novas gerações e na transmissão da memória histórica.
O terceiro painel, subordinado ao tema “24 Anos da RDTL: Construção do Estado, Desafios e Futuro da Nação”, contará com a participação do Tenente-General Falur Rate Laek, que abordará a transição da resistência para a governação, a consolidação das instituições do Estado, a reconciliação nacional, a afirmação internacional de Timor-Leste e os desafios estratégicos do futuro.
Com esta iniciativa, o AMRT, I.P. pretende contribuir para o reforço da consciência histórica nacional, a consolidação da memória coletiva da Resistência e a promoção de uma reflexão crítica sobre a continuidade entre a luta de libertação e a construção do Estado. O seminário destina-se a estudantes universitários, investigadores, académicos, representantes institucionais, antigos combatentes, protagonistas da Resistência, jovens e público em geral.
O Arquivo & Museu da Resistência Timorense reafirma, assim, o seu compromisso com a preservação da verdade histórica, a valorização dos protagonistas da luta de libertação nacional e a transmissão da memória às novas gerações, para que o exemplo de unidade, coragem e resiliência que tornou possível a independência continue a inspirar a construção do futuro de Timor-Leste.

















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